Mais da metade da energia consumida pelo país diariamente deixou de ser distribuída durante o apagão que afetou 18 estados do Brasil entre a noite de terça-feira (10) e a manhã desta quarta (11), segundo cálculo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia.
Durante o apagão, 28.800 megawatts médios de energia deixaram de ser transmitidos pela rede interligada de distribuição. O consumo do Brasil é de 55 mil megawatts médios por dia, segundo a EPE. A empresa é responsável por estudos e planejamento do setor energético.
Além da interrupção na transmissão de 28.800 megawatts de energia no Brasil, outros 980 megawatts deixaram de ser distribuídos no Paraguai quando ocorreu o apagão. Segundo nota técnica do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o desligamento afetou o sistema de transmissão entre Foz de Iguaçu (PR) e Tijuco Preto (SP), provocando efeitos nos sistemas de transmissão e substransmissão de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Segundo a nota da ONS, quatro estados foram afetados na totalidade: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Outros 14 estados foram parcialmente atingidos: Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Acre, Rondônia, Bahia, Sergipe, Paraíba, Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
O relatório informa ainda que as usinas nucleares de Angra I e Angra II, no Rio de Janeiro, também foram desligadas na mesma sequência de interrupções de energia que ocorreram em grande parte do país. “Angra II desligou automaticamente às 22h13 devido à perturbação geral no SIN [Sistema Interligado Nacional], conforme item ‘Ocorrência na rede de Operação’, permanecendo desligada. A UG [Unidade de Gerador] tem previsão de sincronismo para 17h do dia 11/11/09”, destaca a nota.
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O Ministério de Minas e Energia (MME) informou que técnicos do ONS fazem uma varredura desde a madrugada desta quarta-feira nas linhas de transmissão que teriam provocado o apagão que deixou no escuro boa parte do Brasil.
Os trabalhos estão concentrados no Paraná e São Paulo, onde ocorreram problemas em três linhas de transmissão. De acordo com o secretário-executivo do MME, Márcio Zimmermann, foram detectadas panes em duas linhas que ligam a cidade de Ivaiporã (PR) a Itaberá (SP) e em uma terceira que interliga as estações de Itaberá e Tijuco Preto (SP).
As causas do blecaute devem ser apresentadas nesta tarde, após a reunião emergencial do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, convocada pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Ele preside o comitê, que também tem como membros representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), da Empresa de Pesquisa de Energética (EPE), do ONS, além de concessionárias do setor.
O secretário-executivo do MME disse mais cedo em entrevista coletiva que o problema, a princípio, teria ocorrido após o sistema acionar mecanismos de defesa. “Todo o sistema de transmissão cria uma situação que pode fazer o circuito desarmar uma linha e não causar nada. Nesse caso, tivemos três simultaneamente. O sistema, para se proteger, aciona uma série de mecanismos de proteção para salvaguardar. Prova disso é que quatro horas depois você tinha toda a carga religada no Brasil”, destacou.
sabotagem. Questionado se a falta de investimento no setor elétrico pode ter contribuído com o apagão, o secretário negou. Segundo ele, o sistema elétrico sempre está sujeito a essas perturbações. “O país hoje é o que tem o sistema mais interligado do mundo. O Brasil vem investindo pesadamente em um sistema de transmissão robusto. Aumentamos a interligação”, disse.
Apagão de 2001:
Zimmermann descartou qualquer semelhança entre o apagão de 2001, que provocou o racionamento de energia no país, com o ocorrido na noite passada. “A situação que ocorreu em 2001 era falta de energia. O que se teve agora é uma situação que não tem problema de falta de energia, foi um problema elétrico que levou a essa perturbação”, explicou.
Segundo ele, há oito anos faltava investimento no setor elétrico brasileiro. “Não tinha o investimento necessário em transmissão e geração, o que levou àquela situação que o país teve que racionar. Era contínuo, porque não tinha geração para atender.”
Furnas:
Na manhã desta quarta-feita, a empresa Furnas Centrais Elétricas informou que as linhas de transmissão que interligam a usina de Itaipu ao Sistema Interligado Nacional (SIN) estão operando normalmente e não foi identificado qualquer dano nos seus circuitos e torres de transmissão.
Fonte: R7.com
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